Nº. 709 – Ministro de música e ministro de louvor – 01 out 2006, p. 4

//Nº. 709 – Ministro de música e ministro de louvor – 01 out 2006, p. 4

Nº. 709 – Ministro de música e ministro de louvor – 01 out 2006, p. 4

 

Música – Nº. 709

Ministro de música e ministro de louvor

Rolando de Nassáu

(Dedicado ao leitor Joás Gueiros, da Pensilvânia, EUA)

Na primeira metade do século 20, na maioria das igrejas em cada uma havia apenas um pastor; depois, alguns pastores admitiram auxiliares.

Atualmente, em muitas igrejas existem equipes ministeriais; além do pastor titular, há 12 ministros: de música, de educação cristã, de evangelismo e missões, de visitação, de surdos, de células, de infância, de juventude, de idosos, de administração, de comunicação e de informação.

Desde a década de 60, igrejas filiadas à Convenção Batista Brasileira mantêm ministros de música, cujas funções básicas são: I – dirigir o departamento de música da igreja local; II – planejar e coordenar as atividades musicais; III – assessorar o pastor titular na elaboração das ordens de culto; IV – liderar o canto congregacional; V – preparar e reger conjuntos vocais, coros e conjuntos instrumentais; VI – zelar pela guarda, conservação, uso e renovacão dos instrumentos musicais; VII – promover a formação e capacitação de regentes, solistas, instrumentistas e acompanhistas. Nos primórdios, eram formados pelos seminários do Rio de Janeiro e do Recife.

Durante os cultos dominicais, a liderança compartilhada é exercida pelo ministro da Palavra (o pastor titular ou algum ministro auxiliar) e pelo ministro da Música. Os ministros que conhecemos têm-se conservado dentro dos limites de suas funções básicas, por isso não tem ocorrido conflito de atribuições com os pastores titulares.

Nos Estados Unidos da América, além do ministro de música há o ministro de louvor, com objetivos bem definidos; o ministro de música estará mais envolvido em organizar as atividades dos cantores e dos músicos, elaborar a Ordem de Culto, planejar a execução do canto e da música, e liderar o canto congregacional, enquanto o ministro de louvor estará mais interessado em guiar a congregação à presença de Deus por meio do louvor não-cantado e não-musicado. A formação do ministro de louvor é semelhante à do ministro de música, mas a ênfase está no conhecimento bíblico; suas funções básicas são: I – auxiliar o ministro de música em suas tarefas; II – preparar textos bíblicos e poéticos para serem lidos, recitados ou declamados durante o culto.

A novidade para as igrejas batistas no Brasil é o entendimento do louvor como atividade literária, extra-musical. Com efeito, o canto ainda é a maneira mais usada de expressar o nosso louvor a Deus; é a mais visível e parece ser a mais gratificante. Mas existe a possibilidade, raramente explorada, do louvor por meio da leitura (Salmos 119:11).

O genuíno ministro de louvor dedicará atenção ao louvor que utilize diretamente a Palavra de Deus; o resultado de seu trabalho ministerial será maior e mais generalizado conhecimento da Bíblia e conseqüente mudança na mente e no pensamento da congregação.

Existem igrejas nos EUA que exibem seus ministros de adoração; publicam nos jornais e na Internet anúncios atraentes não somente para os profissionais mas também para as congregações que querem crescer. As funções básicas desses profissionais são: I – auxiliar o ministro de música em suas tarefas; II – dirigir a leitura bíblica pela congregação; III – guiar a meditação da congregação a respeito da leitura bíblica; IV – orientar a oração da congregação, antes ou depois de uma execução musical. Esse tipo de ministro auxiliar facilmente sai da esfera do ministério do Louvor e invade a área do ministério da Palavra, exercido pelo pastor titular.

Estranhamos o uso dos termos “centro de adoração” (aplicado ao templo, porque a adoração deve ser realizada principal e antecipadamente no lar do crente) e “ministro de adoração” (relacionado ao culto, pois a adoração particular deve preceder o culto público no templo); evidentemente, esse ministro não dirige a adoração no lar do crente. “Ministro de Adoração” é um termo errôneo e ineficaz, pois esse profissional não pode vigiar ou estimular a adoração dos crentes; o apóstolo Paulo ensinou que o crente deve adorar todos os dias, a vida inteira, em qualquer lugar e em qualquer circunstância (1ª. aos Coríntios 10: 31); o indigitado ministro não tem condições de interferir na adoração dos crentes; a adoração pertence ao foro íntimo.

O pastor titular, pela pregação da Palavra de Deus e pela intecessão a favor dos crentes, tem oportunidades de influir na vida espiritual da igreja.

Os exercícios espirituais dos crentes são realizados nos momentos devocionais, aos quais o ministro de adoração não tem acesso (OJB, 04 jul 04).

Pelo exposto, conclue-se que o ministro de música e o ministro de louvor são os obreiros mais indicados para promover o louvor da igreja, cantado, musicado ou falado.

 

http://www.abordo.com.br/nassau/

(Publicado em “O Jornal Batista”, 01 out 2006, p. 4).